Mente Indecisa

Setembro 29, 2008

Disturbio Borderline

Arquivado em: O meu problema — kaotik2003 @ 6:51 pm
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Hoje alguns amigos meus disseram que Disturbio Borderline é muito parceido com o bipolar, eu descrevo:

Borderline é um transtorno de personalidade que traz sérias conseqüências para a pessoa, seus familiares e seus amigos próximos. O termo “fronteiriço” não se refere ao limite entre um estado normal e um psicótico. Ele se refere a uma instabilidade constante de humor.

Não é muito freqüente. Nos USA se considera 2% da população, (mas cuidado, geralmente as estatísticas lá são exageradas). Muito mais freqüente em mulheres do que em homens (por isso a página é escrita no feminino).

1) Sintomas (claro que nem todas as Borderline tem todos estes sintomas):

  • Medo de abandono: uma necessidade constante, agoniante de nunca se sentirem sozinhas, rejeitadas e sem apoio.
  • Dificuldade de administrar emoções
  • Impulsividade.
  • Instabilidade de humor. As oscilações de humor do DAB ou TAB – Distúrbio ou Transtorno Afetivo Bipolar duram semanas ou meses, mas as Borderline têm oscilações de minutos, horas, dias. Essas oscilações de humor incluem depressões, ataques de ansiedade, irritabilidade, ciúme patológico, hetero- e auto-agressividade. Uma paciente marca a consulta informando que está super deprimida, querendo morrer. No dia seguinte chega à consulta bem humorada, bem vestida, maquiada, vaidosa.
  • Comportamento auto-destrutivo (se machucar, se cortar, se queimar). As portadoras de Borderline dizem que se machucam para satisfazer uma necessidade irresistível de sentir dor. Ou porque a dor no corpo “é melhor que a dor na alma”.
  • Tentativas de suicídio, mais freqüentemente as de impulso do que as planejadas.
  • Mudanças de planos profissionais, de círculos de amizade.
  • Problemas de auto-estima. Borderlines se sentem desvalorizadas, incompreendidas, vazias. Não tem uma visão muito objetiva de si mesmos.
  • Muito impulsivas: idealizam pessoas recém conhecidas, se apaixonam e desapaixonam de maneira fulminante.
  • Desenvolvem admiração e desencanto por alguém muito rapidamente.
  • Alta sensibilidade a qualquer sensação de rejeição. Pequenas rejeições provocam grandes tempestades emocionais. Uma pequena viagem de negócios do namorado ou marido pode desencadear uma tempestade emocional completamente desproporcional (acusações de rejeição, de abandono, de não se preocupar com as necessidades dela, de egoísmo, etc.).
  • A mistura de idealização por alguém e a extrema sensibilidade às pequenas rejeições que fazem parte de qualquer relacionamento são a receita ideal para relacionamentos conturbados e instáveis, para rompimentos e estabelecimento imediato de novos relacionamentos com as mesmas idealizações.
  • Mais raramente, episódios psicóticos (se sentirem observadas, perseguidas, gozadas, comentadas).

2) Risco aumentado para:

  • Compras Compulsivas.
  • Sexo de risco.
  • Comer Compulsivo, Bulimia, Anorexia.
  • Depressão.
  • Distúrbios de Ansiedade.
  • Abuso de substâncias.
  • Transtorno Afetivo Bipolar.
  • Outros Transtornos de Personalidade.
  • Violência (não só sexual), abusos e abandono, por causa da impulsividade e da falta de crítica para escolher novos parceiros.

3) A causa provável é uma mistura de:

  • Vivências traumáticas (reais ou imaginadas) na infância, por exemplo abuso psicológico, sexual, negligência, terror psicológico ou físico, separaçãos dos pais, orfandade.
  • Vulnerabilidade individual.
  • Stress ambiental que desencadeia o aparecimento do comportamento Borderline.

Cuidado com conclusões precipitadas do tipo “você foi abusada” ou “você foi aterrorizada”.

4) Evolução:

  • Geralmente começa a se manifestar no final da adolescência e início da vida adulta.
  • Com o passar dos anos existe uma diminuição do número de internações hospitalares e de tentativas de suicídio.
  • Parece piada de mau gosto, mas é uma realidade estatística: a cada tentativa de suicídio que a Borderline sobrevive, diminui a chance de uma nova tentativa.

5) Fatores de bom prognóstico:

  • Bons relacionamentos familiares, sociais, afetivos, profissionais.
  • Participação em atividades comunitárias: igrejas, clubes, associações culturais, artísticas, etc.
  • Baixa ou ausente freqüência de auto-agressão.
  • Baixa ou ausente freqüência de tentativas de suicídio.
  • Ser casada.
  • Ter filhos.
  • Não ser promíscua.

6) Tratamento.

A integração de tratamentos medicamentosos mais psicoterápicos trouxe grandes progressos no tratamento do Transtorno Borderline.

  • Medicação:

O tratamento medicamentoso inclui Estabilizadores de Humor (mesmo que não se trate de DAB) pois eles ajudam a conter a impulsividade e as oscilações de humor.
Antidepressivos e Tranqüilizantes não tem a mesma eficácia que teriam em casos de depressões ou ansiedades “puras” mas certamente tem sua utilidade em Borderline.

Embora a medicação seja muito importante, ela é ator coadjuvante. O ator principal no tratamento é a Psicoterapia.

  • Psicoterapia:

As mais úteis são as Analíticas (Junguiana e Freudiana). Não é uma terapia fácil. O que acontece “na vida real” acontece dentro do consultório: instabilidade, alternância de amor e ódio, idealização e desapontamento com o terapeuta, sedução, impulsividade, etc.

Identifico-me bastante com grande parte destes sintomas, excepto no sexo promiscuo, e no constante desejo de suicidio.

Ao mesmo tempo nao penso em me encher de alcool, ou melhor, penso mas sou mais forte.

Isto abriu grandes esperanças para mim, que neste momento julgo que vou conseguir conter o que penso muitas vezes, comprei Omega 3 para me ajudar no bem estar emocional, faço exercicio e acima de tudo tento-me manter sempre o mais ocupado possivel.

A minha namorada decidiu dar-me a minha derradeira chance, como sei do seu cepticismo em relaçao a este genero de disturbios, eu nao lhe conto nada. Faço os possiveis para conter a necessidade de demonstraçoes de afecto, e o facto de ela estar distante obriga-me a ter de lutar comigo mesmo, dizendo a mim proprio que essa sensaçao de desilusao e tristeza que nao passa do meu disturbio e até agora tenho conseguido controlar-me, vamos ver por quanto tempo, espero q sempre.

Cheguei agora a casa depois do trabalho e vou ja começar a limpar a casa, e talvez tomar um xanax xr, pois ando muito ansioso, com tiques nervosos e dificuldade em me concentrar, talvez me ajude tb a dormir a noite toda.

Vou limpar a casa para tentar me ocupar o mais possivel e nao pensar em asneiras, depois vou correr um pouco, ir ao duche, jantar e jogar um pouco de xbox360, e so depois lhe ligo, pq senao tenho uma vontade desenfreada de lhe ligar ja, e nao consigo pensar noutra coisa. Se lhe mando uma mensagem e ela nao responde, nao consigo pensar noutra coisa, por isso tenho de fazer da minha vida isto, uma ocupaçao permanente, no intuito de esquecer que eu penso.

é dificil, mas acho que vou conseguir.

5 Comentários »

  1. Pois eh, ser Borderline eh horrivel, fui diagnosticado recentemente e tenho todos os sintomas e mais alguns. Mesmo tentando ser uma pessoa melhor, nunca deixei de destruir tudo e todos os que me rodeiam.
    Vou tentar comecar com terapia para ver se a minha filha nao sera mais uma vitima sem escolha na minha vida. E muito dificil senao impossivel sair desta montanha russa sem ajuda de profissionais.
    boa sorte para ti.
    um abraco
    pedro ramires

    Comentário por pedroramires — Outubro 4, 2008 @ 8:22 pm

  2. Boa sorte para ti Pedro,e acredito que com terapia chegas la, pois no fundo o nosso problema é uma ma interpretaçao das coisas e uma revolta enorme em consequencia disso. Temos de lutar todos os dias e se conseguires, vais ser um sabio de 70 anos num corpo de 40

    Comentário por kaotik2003 — Outubro 30, 2008 @ 12:53 am

  3. Boa-tarde,

    É assustador como me idêntifico com os tantos itens desta patologia.
    Além de me ter sido diagnosticado Lupus em 2005, venho agora a descobrir
    o nome para o que tem acontecido comigo desde que cheguei à idade adulta.
    Durante muito tempo pensei que era louca!A maior parte das pessoas também.:-)
    Meu Deus,não sei o que era melhor, pensar que era louca ou saber a razão
    para as minhas atitudes.
    Mais uma preocupação, mais uma coisa para esconder.
    Como é que vou saber que tudo o que sou é real, genuíno de mim, da minha personalidade,
    e, não proveniente desta doença?

    Aleera

    Comentário por Aleera — Novembro 8, 2008 @ 8:27 pm

  4. Nunca ouvi falar em disturbio bordelaine, sou bipolar há 25 anos mas os sintomas de bodelaine se encaixam direitinho pra mim, principalmente nesses últimos anos em que cessaram as crises de mania mais agudas. É ,Aleera, a gente nunca vai saber o que é nosso e o que é proveniente desta doença. Já pensei muito sobre isso tb e agora já não me importo mais e as vezes até me escondo um pouco atrás da doença.Tenho muito medo do suicídio, nas minhas crises de depressão penso muito em morrer , mas tenho uma filha e isso me segura. Vivo muito só, moro sozinha e não trabalho, tenho poucos amigos. Tomo meus medicamentos religiosamente. Tenho alegria tb, dizem que a gente se acustuma com tudo, não é?

    Maria lucia

    Comentário por Maria lucia — Novembro 23, 2008 @ 4:48 am

  5. Olá Maria Lucia,

    Lamento que também tenha esta doença.
    Você tem a sua filhinha, alguém por quem viver e lutar. Não quero dizer que seja mais fácil.Mas é a sua
    âncora a esta vida.
    Eu não tenho ninguém.Estou só.
    Agora compreendo porquê, e, o medo torna-se ainda maior. Deixamos de ser nós próprias, ferimo-nos
    e ferimos os outros, aqueles que mais amamos. Qestiono o meu direito de querer amar e ser
    amada, porque mais cedo ou mais tarde a verdade vai-se revelar e, ninguém está para nos aturar.O amor ou
    amizade não resistem a semelhantes provas de resistência e paciência.
    Estamos danificadas e como tal somos postas de lado como tudo o resto na nossa sociedade.
    Por vezes o meu desespero parece que me sufoca. Desejo gritar, expelir tudo o que sinto, toda a dor que
    suporto dentro de mim em todos os dias da minha vida.
    Tem dias que é tão dificil continuar a sobreviver neste labirinto que sabemos já que não existe saída.
    Não consigo acostumar-me.Possuo um falso conformismo.
    Maria Lucia, espero sinceramente que consiga superar mais esta prova que a vida nos coloca no caminho.
    Você tem uma luz na sua vida que é a sua filha. Ame-a e tenha esperança que o dia de amanhã será sempre
    melhor que o de hoje.
    Deixo-lhe um xi muito grande, porque por vezes, mais do que palavras, precisamos que alguém nos abrace
    e embale.

    Aleera

    Comentário por Aleera — Novembro 28, 2008 @ 10:18 pm


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